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Manoel Ferreira da Silva

1956 - 2020

Estar com a família, contar histórias e ouvir Amado Batista. Essas eram suas paixões.

Era funcionário do Tribunal de Contas do Estado do Piauí, onde trabalhou desde 1987. Funcionário exemplar, nunca chegou atrasado e nunca faltou ao serviço, a não ser por problemas de saúde.

Um homem bom, apaixonado pelo seu time, o Flamengo, do qual era torcedor fanático. Não perdia um jogo sequer.

Mas paixão mesmo ele tinha pela esposa, com quem estava casado desde 1982. O casal teve quatro filhos e oito netos. Não abria mão de estar com sua numerosa família todos os finais de semana. Era um gosto ver todos ali reunidos ao seu redor.

Tendo os familiares como plateia, adorava contar histórias de seu tempo de adolescência, vividas lá no Ceará. Sempre muito alegre e brincalhão, deixou muitas dessas histórias gravadas na lembrança de quem as escutou, como conta sua filha, Adriana.

Ela lembra-se de ouvi-lo contar que "quando veio trabalhar no Piauí, juntou dinheiro e comprou uma radiola. Voltando para o Ceará, passou a promover matinês!"

Também gostava de dançar e de ouvir Amado Batista, tomando a sua cervejinha bem gelada. Aliás, tinha o sonho de conhecer esse cantor, seu favorito.

Na esperança de ver o sorriso da sorte, jogava insistentemente na loteria. Era um de seus sonhos ganhar na loteria. "Meu pai nunca deixou nos faltar nada. Sempre foi muito presente e ver a família reunida todo final de semana era tudo pra ele", lembra Adriana.

Manoel nasceu em São Benedito (CE) e faleceu em Teresina (PI), aos 63 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Manoel, Adriana Dias da Silva. Este tributo foi apurado por Lígia Franzin, editado por Marilza Ribeiro, revisado por Lígia Franzin e moderado por Phydia de Athayde em 28 de julho de 2020.