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Maria Cristina dos Santos

1973 - 2020

Trocava o nome das pessoas, inventava novas letras de música e era paz, luz e alegria na vida de todos.

Impecável em tudo que fosse tocado por suas mãos; assim era a famosa “Tia Cristina” que, como professora marcou positivamente a vida de muitas crianças e adolescentes, os quais foram agraciados com a sorte de tê-la como mestre. Cheia de alegria e amor por sua profissão, Cristina não ensinava apenas conteúdos escolares, ela era exemplo de virtude, respeito, admiração pelo conhecimento e acolhimento de todos os seus alunos. Após a sua partida, um projeto da prefeitura irá nomear uma das ruas da cidade com o seu nome. Será chamada de Rua "Tia Cristina".

Como mãe, esposa, avó, irmã, tia, filha, sogra, cunhada, amiga ou vizinha era aquela fonte de palavras de incentivo que todos ouviam com interesse e admiração. Era incapaz de ver alguém passar qualquer tipo de necessidade e não se desdobrar para tentar resolver a situação.

Extremamente prestimosa com as tarefas domésticas, tudo que Cristina pegava para fazer era feito com desvelo e capricho. Tudo era meticulosamente organizado e limpo. Tinha até uma certa mania de limpeza; a filha conta que a mãe chegava a lavar de novo peças de roupa que já haviam sido lavadas, caso não estivessem de acordo com seus padrões de limpeza.

Casou-se duas vezes. O primeiro casamento, com José Carlos, durou sete anos. Com Francisco Raimundo, Cristina ficou vinte e um anos casada; no dia do casamento, Cristina foi tão alegre e efusiva ao proferir os votos que até o padre não pôde conter o sorriso na hora da cerimônia. Essa mulher adorável e generosa, que possuía enorme prazer em cuidar, trouxe ao mundo três filhas: Camilla, Karoline e Sarah. E com os netinhos, vovó Cristina era pura brincadeira e felicidade.

Foram várias tardes de sábado curtidas ao lado da filha; as duas eram fãs da trilogia "Cinquenta Tons de Cinza". Camilla também conta que, assim que acordava – todas as manhãs –, corria para a sala para conversar com a mãe, os assuntos entre elas pareciam nunca se esgotar. “Isso está fazendo uma falta danada!”

Os amigos também andam sentindo muita saudade das mensagens caprichadas de Cristina nos grupos de mensagem pelo celular, assim como de suas postagens nas redes sociais com o já conhecido bordão: “Paz e luz!”

“Uma lembrança boa que sempre vem à nossa memória quando falamos em mamãe, é que ela vivia trocando o nome das pessoas, fossem alunos ou amigos. A gente ria muito quando isso acontecia. Ela também sempre errava as letras das músicas e fazia sua nova versão, criada por ela mesma”, lembram as filhas.

“Eu e as minhas irmãs queremos que ela seja sempre lembrada. Mamãe merece todas as homenagens possíveis, pelo amor e cuidado que ela dedicou de forma incansável à sua família, seus amigos e alunos”, palavras de Sarah, a filha caçula de Cristina.

Maria nasceu em Teresina (PI) e faleceu em Teresina (PI), aos 47 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelas filhas de Maria, Sarah Lya do Espirito Santo Silva e Camilla Cristina dos Santos Oliveira. Este tributo foi apurado por Ana Macarini, editado por Ana Macarini, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 22 de outubro de 2020.