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Maria Eva Santiago Martins

1951 - 2020

Sua teimosia e alegria eram tão grandes quanto seu coração.

Ela sempre amou a natureza. Nasceu na roça, no interior de Minas, onde aprendeu cedo a cozinhar e, mais tarde, acabou fazendo uma comida mineira como ninguém. Aprendeu, inclusive, a cozinhar todo tipo de planta selvagem, para não passar fome.

"Minha sogra gostava de contar uma história de seu tempo de criança: o pai dela quase a trocou por uma carroça de milho Ibu. Sim, ela fazia questão de especificar o tipo de milho", conta Carolina.

Quando foi morar na cidade grande, deu um jeito de encher sua casa com plantas. Tanto de comer, quanto as medicinais... mas não deixou de lado a beleza, com algumas orquídeas. Isso a deixava feliz: ver coisas boas crescendo e florescendo.

Adorava também criar galinhas e cachorros. Ela era a alegria da festa, sempre na companhia de um litrão e seus cachorros. Brincava, dizendo que conseguiu educar um filho direito, mas que não teve o mesmo sucesso com seu cachorro, Beethoven, um meio-labrador preto, que foi muito mimado por ela e então, aprontava demais... parecia que fazia de propósito, só pra fazê-la rir.

Maria Eva era viúva, teve apenas um filho, Sérgio e não tinha netos. "Foi uma mãe carinhosa, uma amiga divertida e um ser humano incrível", conta a nora.

Resolvia tudo do seu jeito, e ai de quem discordasse. Estava sempre disposta a ajudar quem quer que fosse, não medindo esforços para isso.

Maria nasceu em Teófilo Otoni (MG) e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), aos 69 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela nora de Maria. Este tributo foi apurado por , editado por Denise Pereira, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 6 de maio de 2020.