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Maria Flora da Silva Tavares

1948 - 2020

Florinha sorria pra vida e a vida lhe sorria de volta.

Pense em uma senhora com alma de jovem. Vaidosa em cada detalhe, da maquiagem bem feita ao vestido escolhido com cautela. Pensou? Assim era Florinha.

A alegria foi sua companheira inseparável durante todo seu percurso em vida. E como aproveitou… Adorava organizar excursões para o grupo da melhor idade e ir ao baile dos domingos.

Florinha foi professora, vocação que inspirou a filha Carol a seguir sua trajetória. Hoje, ela segue reproduzindo nas salas de aulas da vida os ensinamentos da mãe-amiga.

“Ela era minha melhor amiga. A que topava meus sonhos e minhas loucuras. A mulher mais guerreira de que eu já ouvi dizer. Foi por influência dela que escolhi ser quem sou. Com a minha mãe, aprendi a ser gente que respeita gente. Aprendi a ter fé, a aceitar os defeitos das pessoas. Aprendi que o amor tem que ser incondicional. Minhas melhores lembranças são as que ela criava todos os dias… No amor que sentia em tudo que fazia. No brilho do seu olhar em poder ajudar a todos”, conta Carol, também com brilho nos olhos.

Fabiana, por sua vez, recorda a importância do apoio da mãe durante a gestação de sua filha. “Todas as histórias foram especiais. Minha mãe sempre foi muito presente em nossas vidas, mas desde o final de 2018, quando descobri minha gravidez, ela esteve mais ainda ao meu lado. Por se tratar de gravidez de risco, me acompanhava nas consultas, exames, acompanhou meu parto, ficou extremamente emocionada com o nascimento da neta. Foi o ser humano mais incrível com quem já convivi”, conta.

A filha Rose afirma que Florinha “foi embora muito cedo de nossas vidas. Não conseguimos entender até hoje. Peço a Deus que, seja onde estiver, esteja bem, pois aqui deixou muitas saudades. Seu legado foi intenso e muito alegre. Minha sempre mãezinha.”

O único filho homem, Marcelo, dizia ser seu fã. Sempre que a encontrava, falava “tudo bem, mami poderosa?”. “Era assim que eu a enxergava: uma pessoa iluminada. Como minhas irmãs dizem: ela tinha rodinhas nos pés, não conseguia ficar parada, estava sempre alegre e curtindo a vida. Prefiro pensar que ela está fazendo uma viagem e logo voltará”, diz carinhosamente Marcelo.

Antes de partir, teve tempo de realizar um sonho: fez um cruzeiro do litoral de São Paulo até o nordeste. Florinha contornou o Brasil levando um pouco de sua graça e alegria de viver. Sorte de quem a conheceu. Ela deixa os filhos Roseli, Marcelo, Fabiana e Caroline, os netos Lucas, Letticia, Victor, Marcello, Rodrigo, Arthur e Beatriz e a bisneta Isabelle.

Maria nasceu em Feira de Santana (BA) e faleceu em São Paulo (SP), aos 71 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido Filha de Maria, Fabiana da Silva Souza. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Júlia Palhardi, revisado por Daniel Schulze e moderado por Rayane Urani em 16 de agosto de 2020.