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Maria Lucia Tolentino do Carmo

1946 - 2020

Dos amores da vida, Di nunca esqueceu de Tonho, da família e do Corinthians.

Foi em Murici, Alagoas, que Dona Lúcia deu o seu choro de estreia nesse mundo que provavelmente jamais coube no tamanho de seu sorriso.

O paradoxo é também parte do que ela era: uma pessoa que amava conversar, na mesma medida que amava reclamar, na mesma medida que amava sorrir a agradecer.

Das dores no joelho, passando pelo ombro e até mesmo no pulso, suas dores eram marcas de uma vida repleta de história e bom humor.

Essa paixão pelo que vem da ordem familiar regeu todas as suas escolhas, até mesmo de moradia. Dona Lúcia construiu, ao lado de Seu Antônio, uma gigante casa na Freguesia do Ó que comportava todos os seus.

Colheu os frutos desse amor com uma família que, até o fim, encaixou visitas quase que diárias a sua casa, sempre por perto, sempre com fome, prontos para comer suas tapiocas e bolos.

Seu olhar sereno e o seu sorriso eram contrastes aos seus repentes explosivos quando necessário, acompanhados de seu sotaque nordestino empolgado e cantado.

As viagens à chácara agora terão um sabor agridoce. E seus abraços, tão inesquecíveis quanto suas risadas, são o que vão ficar de mais forte na lembrança de todos.

Jornalista desta história, Gabriela Monteiro em entrevista feita com neto Flávio Passos, em 14 de maios de 2020.

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Di era uma corintiana fanática, brincalhona e que adorava implicar com seu marido palmeirense, com quem viveu praticamente a vida inteira. Em 50 anos de casamento, Tonho e Di foram pais de seis filhos: Alda, Luiz, Adalberto, Aldo, Júnior e Aguinaldo.

Generosa e bondosa com suas irmãs e amigas, Di se tornava uma leoa quando mexiam com seus filhos e netos, defendendo-os com unhas e dentes. Trabalhava como dona de casa, depois de sair de Murici, interior de Alagoas, para São Paulo.

Quando sobrava um tempo, Di gostava de fazer tricô e de telefonar para as irmãs. Da vida, não quis se despedir em momento algum.

Suas últimas palavras foram dedicadas ao esposo, a quem dava o primeiro bom dia e o último boa noite.

“Tonho, volto logo.”

Maria nasceu Murici (AL) e faleceu São Paulo (SP), aos 74 anos, vítima do novo coronavírus.

Jornalista desta história Josué Seixas, em entrevista feita com neta Bianca, em 18 de maio de 2020.