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Narci da Conceição Magela

1952 - 2020

Uma mulher de fé, para quem a família estava em primeiro lugar. Depois vinham as plantas e a música caipira.

Narci podia até se esquecer dela mesma para agradar a família e os amigos.

A dona de casa aposentada gostava de estar com os filhos, os netos e o esposo Geraldo, com quem mantinha um jeito carinhoso de lidar.

A nora Rosimeire conta que ela pegava bastante no pé do marido, mas acredita ter sido esse o modo encontrado pela sogra de chamar a atenção do seu amor.

Das histórias marcantes, Rosimeire guarda o relato sobre a visita dela e uma amiga a um sítio infestado de pererecas. Aconteceu que, enquanto tomava banho, uma perereca saltou em cima de Narci. “Então ela saiu correndo, enrolada de qualquer jeito na toalha, sem nem lembrar que havia pessoas lá fora, e todo mundo caiu na gargalhada”, recorda-se a nora.

Conhecida pelos demais parentes por D'naci e chamada por Rosimeire de “Lindona”, a aposentada amava limpar e organizar a casa, e era apaixonada por plantas, em especial pelas orquídeas.

A lista de paixões ainda incluía uma boa comida – ela adorava pizza! – e música sertaneja raiz, pois este estilo a lembrava o tempo da infância em Piracema, sua cidade natal, para onde sonhava voltar.

Dona Narci partiu apenas dois dias após seu filho José Ricardo Magela Vilela, que também é homenageado neste Memorial.

Narci nasceu em Piracema (MG) e faleceu em Contagem (MG), aos 68 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela nora de Narci, Rosimeire Esperança de Oliveira. Este tributo foi apurado por Lígia Franzin, editado por Mariana Quartucci, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 28 de julho de 2020.