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Natalícia Sarmento Corrêa

1948 - 2020

Sua torta de frango tinha um cheirinho de união.

Se a notificação nos celulares alertasse para uma nova mensagem enviada ao grupo da família, os Sarmento Corrêa já se apressavam para ver. A inabalável esperança era que fosse uma foto da torta de frango que, mais tarde, reuniria toda a família. O destino não era combinado justamente por já ser mais que sabido por todos: a casa de Natalícia; o ponto de encontro da família. Iam todos sempre ansiosos para desfrutar, além da torta, a deliciosa e agradável companhia daquela que era uma maravilhosa mãe, tia, avó, prima e amiga.

Nata, como era carinhosamente chamada, cuidou dos pais até os seus últimos dias e, mesmo depois que eles faleceram, nunca deixou de zelar pelas sepulturas com o maior carinho. "Fazia questão de limpar e cuidar do local. E não fazia isso por obrigação, mas sim por amor e respeito aos pais", conta o filho Waldir acerca do respeito que foi passando de geração em geração, até chegar nele. "Quantas vezes ela deixou de comer pra poder alimentar os filhos! Eu era pequeno mas me lembro bem que ela servia a todos os oito filhos primeiro e, quando sobrava, se servia. Não importa o problema pelo qual estivéssemos passando, podíamos contar com a mamãe, que além de ser mãe também era uma super amiga", revela.

Se um dos maiores prazeres da vida da amazonense era falar do amor de Deus, o maior era falar com Ele. Waldir relata que, quando morava com a mãe, era rotina encontrá-la ajoelhada em seu quarto, no escuro da madrugada. "Eu perguntava: mãe, o que a senhora está fazendo no escuro? E ela respondia: estou orando por vocês."

Eternizada na memória de cada um que a conheceu, para além deste memorial, Natalícia não é um número, mas sim a pessoa mais fantástica que Waldir conheceu na vida. "Orgulho por Deus ter escolhido essa pessoa maravilhosa para ser minha Mãe. Obrigado por tudo minha, Mãezinha querida!"

Natalícia nasceu Codajás (AM) e faleceu Manaus (AM), aos 71 anos, vítima do novo coronavírus.

História revisada por Irion Martins, a partir do testemunho enviado por filho Waldir Sarmento Correia, em 11 de maio de 2020.