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Orlando Furtado

1936 - 2020

Vaidoso, ele ia ao salão toda sexta-feira cuidar dos poucos fios que ainda tinha.

Orlando foi grande. Por isso, nada mais justo do que ser patriarca de uma família igualmente enorme, que foi construída junto de sua companheira Veriana (in memorian). Pai de seis, avô de 12, bisavô de três. Sentia uma tremenda alegria em ver todos reunidos. O sorriso com Orlando era certo e frouxo.

Amava futebol. Sua paixão era o clube do Remo, time paraense. Ele também torcia pelo Flamengo e se tornava o típico técnico do time do outro lado da tela. Vibrava, gritava, zombava jogadores e juízes. Era impossível não se divertir ao vê-lo torcer.

Tinha um jeito especial de demonstrar seu carinho. Seus familiares conheceram várias de suas fases. Para os filhos: um pai rigoroso. Para os netos mais velhos: um avô severo. Já para os netos mais novos: um avô com o coração mais mole de todos. Seu Orlando era múltiplo, e por ser múltiplo, soube diversificar o amor.

Ensinou os netos a andarem de bicicleta. Também era dentista dos filhos de seus filhos, e depois que arrancava os dentes de leite, dizia para eles os colocarem debaixo do travesseiro, como uma forma de presentear a fada dos dentes.

O chefe dos "cavalgaduras" partiu e deixou, além de seus seis filhos, 12 netos e três bisnetos, amigos e conhecidos com os corações cheios de saudade.

Orlando nasceu em Belém (PA) e faleceu em Belém (PA), aos 83 anos, vítima do novo coronavírus.

História revisada por Vitória Freire, a partir do testemunho enviado por neta Swany Furtado, em 12 de maio de 2020.