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Paulo André Drago

1965 - 2020

“Ei, Zé!”, era assim que ele chamava todo mundo.

Nascido na Ilha do Marajó, no município de Muana, conhecido como a terra do camarão, feirante no bairro da Terra Firme, Paulo era casado com “Nega”, como carinhosamente chamava, sua esposa Orlandina. Eles tiveram dois filhos, André e Cibelly, e dois netos, Pérola (seu xodó) e Pedro Henrique. E teve também o Wallace, filho do primeiro relacionamento, e o Nick, seu filho de coração... ambos parceiros de profissão.

Apaixonado pelo time do Remo, acabou contagiando os netos, que o chamavam de “vovô do leão”, por causa do mascote do time. Pai cuidadoso e amoroso com seus filhos, o avô das muitas histórias, das gargalhadas e das brincadeiras, “ele era como um norte para mim”, diz a nora Any.

Foi um vencedor. Saiu da feira na rua para ter o seu próprio box no Hortomercado, onde vendia as mercadorias que havia trazido de madrugada do mercado mais antigo do país; o ponto turístico, cultural e econômico da cidade de Belém, o Mercado Ver-o-Peso, o “Veropa”, onde ele tinha muitos amigos. Em seu recém-reformado box de pescados, fruto de todo seu trabalho - onde trabalhava com a mulher e o filho, à base de muito café - Paulo fazia todo mundo rir com suas histórias e brincadeiras, e também com os apelidos que inventava, todo mundo tinha um!

Que a imagem das embarcações coloridas, da tradicional Festa do Camarão, possa servir de homenagem de todos aqueles que conheceram o Seu Paulo - que era como um pai pros netos, pros irmãos e pra quem mais precisasse de um pai - e dizer a saudade que ele deixa e a falta que faz.

Paulo nasceu em Muaná (PA) e faleceu em Belém (PA), aos 55 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela nora de Paulo, Any. Este texto foi apurado e escrito por Alessandra Capella Dias, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 31 de julho de 2020.