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Pedro de Souza

1951 - 2020

Dedicado em tudo que fazia, disciplinado e vitorioso, cobriu os familiares de cuidado, amor e afeto.

Um homem decidido. Assim era Pedro. Saiu da casa da família aos 10 anos rumo a Salvador, onde conquistou tudo o que sonhava. Trabalhou a vida toda até se aposentar como estivador, profissão que exercia com muito orgulho e provia o sustento da família.

Pai de sete filhos, foi casado com Eunice por quarenta e sete anos. Era apaixonado pelos netos e sempre foi bastante presente na vida de todos os familiares. Organizado, quase não tirava folgas. Nos raros momentos de lazer, não abria mão de uma cerveja gelada e uma boa música.

A filha Genivalda conta que o pai era um homem de personalidade forte. Ela viveu na casa dos pais por muitos anos, onde criou seus primeiros filhos. Acolhida por eles, sempre sentia o afeto e carinho de Pedro, um homem que, segundo ela, foi disciplinado pela vida.

Genivalda descreve o momento mais marcante que viveu ao lado do pai: quando entraram juntos no cartório para ela se casar. “Ele estava muito nervoso”, relata a filha, que guarda essa lembrança especial com grande emoção.

Quando ela se casou, foi morar em uma cidade vizinha. Foi a primeira vez que se separou dos pais. Para diminuir a saudade, ligava para eles diariamente. Conta ainda que, quando recebia a visita do pai, ele, exagerado, levava uma compra de mercado enorme para ela.

Antes de partir, Pedro se certificou de que deixaria os filhos e a esposa amparados. Então, em um lindo dia ensolarado, ele se foi.

Pedro nasceu em Alagoinhas (BA) e faleceu em Salvador (BA), aos 69 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela filha de Pedro, Genivalda Santos de Sousa. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Gabriel Rodrigues, revisado por Paola Mariz e moderado por Rayane Urani em 22 de abril de 2021.