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Raquel Monteiro de Albuquerque

1969 - 2020

A policial vaidosa que tinha grande consciência social.

Certa vez, durante um treinamento na academia de polícia, ela foi para o stand de tiro usando um tamanquinho. "Raquel, de tamanco?", perguntou uma colega. Ela riu, odiava usar tênis.

Era vaidosa, dizia com alegria: "vcs sabem que eu sou uma garotinha!" E, de fato, foi a eterna garotinha da família. A irmã, Ellen, sempre elogiava sua beleza. Era comum as duas brincarem sobre o assunto: "A Ellen é minha fã!" A outra respondia: "Sou mesmo" e agora acrescenta: "para sempre serei!"

No trabalho era firme. Honesta, justa e de forte opinião. Não mudava quando tinha certeza de seu entendimento. "Eu a tinha como uma profissional de referência, inteiramente comprometida com procedimentos. Entregava no prazo correto", reforça o amigo e principal parceiro de trabalho, Alexandre.

Raquel faz parte de uma família numerosa, composta pelos irmãos Sulamita, Ellen, Elias, Elíada (in memorian) e a mãe, D. Terezinha. Ela não gostava de aparecer, mas estava presente em cada momento, torcendo, pensando positivo, contribuindo financeiramente, e amando a sua família. Não teve filhos, mas era considerada pelos sobrinhos como uma "tia-mãe", dedicada e protetora.

Bem-humorada, quando a mãe, portadora de Alzheimer, não a reconhecia, ela dizia, sorrindo: "Mãe, é que tô disfarçada de feia, mas sou eu mesma, Raquel."

Raquel tinha uma alma gêmea, Elyaldo. Casados há 12 anos estavam juntos para o que desse e viesse. Companheiros de vida e de ofício.

A polícia era também a vida de Raquel. Era uma escrivã que se preocupava com as vítimas. Refletia sobre os motivos que levam alguém a delinquir. Tinha grande consciência social, queria sempre ajudar.

Foi dos braços do grande amor da sua vida, para o colo de Deus pai.

"Resta só amor e saudade", diz o irmão, Elias.

O céu ganha mais uma estrela. E essa tem distintivo de bravura no peito!

Raquel nasceu em Belém (PA) e faleceu em Belém (PA), aos 50 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pelas irmãs e pelo amigo de Raquel, Ellen, Sulamita e Alexandre. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Cristiane do Socorro Oliveira Marialva, revisado por Didi Ribeiro e moderado por Rayane Urani em 25 de maio de 2020.