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Roberto Passos Leandro

1948 - 2020

Exagerado nos sentimentos e nas comidas. De sua cadeira, adorava observar a fartura de alegria.

Sentimento é a palavra que define esse pai, que acumulava carinhosamente os títulos de Tio Bebeto, Bebetinho, Bebeto do Timbukas, Vovô Bebeto, Chapeleta...

Casado com Regina ou “Vida” — como eles amorosamente se tratavam, era filho da doce Amarina, de quem herdou a educação e a gentileza, pai de Fábio José, Roberto Júnior, Flávia e Rodrigo, filhos dos quais se orgulhava.

Ensinou aos filhos o “senso de justiça, honestidade, ética, moral, simplicidade, companheirismo, amor e tantas outras qualidades que o definiam”, diz, orgulhoso, o filho Roberto Júnior.

Advogado por formação, comerciante por ocasião, tocou seu restaurante por décadas — o famoso Timbuka's Bar e Restaurante, conhecido por sua cozinha espetacular, chopp geladíssimo e a simpatia de Bebeto que, juntamente de seu concunhado Aluízio, a quem chamava de Cidadão, em que aquele encantava e este cantava, conquistaram não só clientes, mas amigos para o resto de suas vidas.

Gostava de fazer tudo com exagero, conta o filho. “Exagero de sentimentos com a família, exagero quando o assunto era comida, exagero para mimar os netos e sobrinhos-netos”.

Segundo o filho, o inesquecível vovô Bebeto, definitivamente, era o “vovô do exagero”: exagero “nas compras de supermercado, do coelho de verdade de presente na Páscoa, do Papai Noel de um metro e meio que dança e toca saxofone. Com certeza, era o melhor avô do mundo”.

No cantinho de sua casa — “sua” não, pois gostava que os filhos se referissem a ela como “nossa casa” — recebia, todas as sextas e sábados, familiares e amigos para apreciarem “uma boa cerveja gelada, seus inúmeros tira-gostos, que iam desde feijoada, até caranguejo, passando por carnes exóticas, churrasco, frutos do mar, carneiro e outras delícias”, lembra Roberto Júnior.

Afirma o filho que Bebeto ficava sentadinho, na cadeira que comprou de um barbeiro amigo, que lhe oferecia bastante conforto nas horas e horas de farras etílicas e gastronômicas, onde observava as pessoas se divertindo, comendo e bebendo fartamente. “Era um anfitrião de primeira! É difícil imaginar uma reunião de família sem sua presença. Como gostava de uma casa cheia e uma mesa farta!”

Com saudades daquele que tinha um coração gigante, que vivia com intensidade, amando ou se estressando, familiares e amigos sabem que naquela mesa sempre faltará Bebeto. Por outro lado, sabem que ele, junto de sua amada Vida Regina e de seu primogênito Fábio, “estão lá do Céu olhando por nós”, finaliza a homenagem o filho Roberto Júnior.

Regina Márcia Pessanha Leandro e Fábio José Pessanha Leandro faleceram dias antes de Bebeto, vítimas do novo coronavírus. Eles também têm um tributo aqui no Inumeráveis.

Roberto nasceu e faleceu em Campos dos Goytacazes (RJ), aos 72 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado de Roberto, Roberto Passos Leandro Júnior. Este tributo foi apurado por Lígia Franzin, editado por Denise Stefanoni, revisado por Lígia Franzin e moderado por Lígia Franzin em 13 de outubro de 2020.