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Rodrigo Gomes Luiz

1985 - 2020

Amigo como poucos, era o amigo de todos.

Inesquecível dia aquele em 2009, quando o fanático flamenguista Rodrigo tirou sua camisa e, com um corpo não-atlético, fez a famosa pose do Adriano Imperador. Nenhuma câmera registrou a preciosidade do momento, mas Carlão, seu grande amigo, arquivou para sempre na memória. Juntos voltavam do Maracanã, de um jogo que conseguiram assistir sem pagar o ingresso. Ah, os jogos do Flamengo... são sempre únicos, mas jamais serão os mesmos; era Rodrigo quem contagiava a torcida com um simples olhar, que trazia a felicidade do mundo.

O carioca usava a alegria para dar ritmo ao dia a dia de muitos. Dominava o tantã, instrumento de percussão, que ganhava vida em suas mãos e abrilhantava os pagodes. Se o suor tomasse conta de seu rosto, uma toalhinha estava sempre pronta para enxugar; tal qual estava ele, uma toalhinha humana que, com um sorriso largo, enxugava a tristeza e o cansaço de quem o cercasse.

"Isso vai fazer muita falta, meu camarada. Meu Flamengo, meus pagodes, minha vida e minha família vão sentir muito a sua falta. Que Deus te leve com o amor e carinho de todos que te conheceram nesta Terra", declara Carlos, com saudações rubro-negras àquele que foi amigo dos prédios inteiros de sua rua: é o Pet!

Rodrigo nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), aos 34 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido amigo de Rodrigo, Carlos Henrique Ferreira de Sá. Este texto foi apurado e escrito por Irion Martins, revisado por Lígia Franzin e moderado por Irion Martins em 12 de maio de 2020.