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Ronaldo Belotti

1959 - 2020

Sua arte era misturar esporte e samba.

Para ele, a simples batida da bola no chão era ritmo.

“Esporte é coreografia”, repetia o professor de basquete, que domava como ninguém o tamborim e o surdo.

Nas rodas de samba, Ronaldo era Maloka, já nas quadras de basquete, Magrão; apelidos carinhosos desse educador comunitário.

Um personagem que alegrou, como poucos, as noites da cidade.

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Um jogador cujas maiores jogadas eram fazer o bem.

De energia cativante, seu sorriso iluminava e irradiava para todos. Antigo atleta do Clube Esporte Sírio, foi professor de basquete para as crianças nas periferias. Dizia ele que basquete era dança, um jogo ritmado.

Era também percussionista, tocava tamborim lindamente, no chorinho tradicional, da Praça Benedito Calixto, aos sábados. Seu trabalho era focado no surdo e voz, instrumento que tocava tão bem, a ponto de parecer a própria escola de samba.

Com amigos, fez parte de muitos grupos musicais, sendo, inclusive, protagonista do Festival de Música de São José do Rio Preto. Ao interpretar clássicos da MPB, via neles uma forma de educação pela música e poesia. Para ele, o batuque era como a música, ritmo e percussão, e assim, de forma sempre sábia e irreverente, conseguiu tirar algumas crianças da situação de rua.

Ronaldo era um “Herói Invisível”, cujo trabalho no Beco do Aprendiz foi publicado no livro, de mesma referência, do jornalista Gilberto Dimenstein. Apresentou-se no programa "Senhor Brasil", do Rolando Boldrin.

Deixou um grande legado, mas os maiores foram a saudade e amor a todos que lhe queriam bem.

Ronaldo nasceu em São Paulo (SP) e faleceu em São Paulo (SP), aos 61 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha e pela esposa de Ronaldo. Este tributo foi apurado por Samara Lopes, editado por Marcos Concórdia, revisado por Lígia Franzin e moderado por Ticiana Werneck em 2 de maio de 2020.