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Rui Carlos Gunha

1956 - 2020

Batalhador e essencialmente família, Era a alegria em pessoa.

A vida do Rui pode ser resumida em uma palavra com muitos significados: Paixão. Primeiro pela família e em igual proporção pelo Club Athletico Paranaense. Nunca foi a um jogo, pois tinha medo que o coração não aguentasse a emoção. Felicidade? O riso era fácil quando o principal rival, o Coritiba, perdia. Tudo era motivo para tirar sarro, característica que marcou muito a passagem dele por aqui.

Batalhador, nunca mediu esforços quando o assunto era trabalho. Trabalhou em metalúrgica, como carteiro, professor e funcionário público. Formou-se em Estudos Sociais com mais de 40 anos e teve a oportunidade de dar aulas para jovens e adultos na mesma escola em que havia estudado anos atrás. Amado pelos alunos, enchia-se de orgulho em contar que era aplaudido quando entrava nas salas para dar aula. O reconhecimento foi eternizado em placas de homenagem, que ele guardava com muito carinho. Às pessoas que passavam pelo seu caminho, ele sempre tinha um grande conselho: “Estudo e conhecimento ninguém vai poder tirar de você!”

Aprender sempre fez parte do dia a dia do Rui. Leitor ávido, tinha conhecimento sobre os mais diversos assuntos e quando explicava algo para as filhas dizia: "Aproveitem, que comigo vocês só aprendem!" E foi assim que as filhas, Cristina e Aline, aprenderam muito sobre amor, carinho, cuidado e família. Avesso às tecnologias, seu grande companheiro por anos foi o videocassete, em que assistia aos programas do “Chaves”, clipes do Queen e aos episódios de “Os Três Patetas”.

Os amigos da época de escola, juventude e do trabalho eram os principais companheiros em uma animada mesa de bar, onde passava para tomar sua cervejinha gelada ou uma pinguinha, torcer pelo Furacão e secar o Coritiba. Deixa saudades e inumeráveis lembranças alegres de que precisamos levar essa vida com alegria e leveza, sempre ao lado daqueles que amamos.

Rui nasceu em Curitiba (PR) e faleceu em Curitiba (PR), aos 63 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pelo sobrinho de Rui, Danny Renato Trentini do Rosário. Este texto foi apurado e escrito por Lígia Franzin, revisado por Mateus Teixeira e moderado por Rayane Urani em 31 de dezembro de 2020.