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Sebastião Crésio da Silva

1937 - 2020

A medicina o inspirava a cuidar de si e do próximo.

Quando o querido médico pneumologista e cardiologista da cidade de Taubaté não estava cuidando da saúde de seus pacientes, apreciava estar rodeado da família e dos amigos. Além de reuni-los em sua casa, Crésio amava recebê-los em seus sítios para pescar e saborear um bom churrasco, acompanhados de cerveja e vinho. Era também no terreno fértil dos sítios que ele cultivava hortas e um exuberante pomar, além da criação de animais que mantinha e cuidava com muita dedicação.

A vivacidade foi um traço marcante de Crésio, sempre muito entusiasmado com a vida. A sobrinha, Ana Lúcia, que o considerava como um segundo pai, eterniza a memória do tio da seguinte forma: “Uma pessoa muito alegre, de bem com a vida, alto astral. Era a alma da casa, das festas e dos encontros com os amigos. Sempre rindo, fazendo piadas e colocando apelidos nas pessoas.”

Dentro e fora do consultório em que atendia os pacientes, Crésio fez valer por diversas vezes o compromisso que firmou de ser um instrumento para salvar vidas. Ana Lúcia recorda com uma gratidão imensurável a vez em que o tio lhe preservou a vida ao socorrê-la após um desmaio causado por um vazamento de gás no chuveiro. Ele esteve lá por ela, assim como estaria por toda sua família, seus pacientes e por quem estivesse ao redor.

Sua companheira de vida era Ana Maria Coelho, com quem constituiu uma família admirável junto dos filhos: Crésio Luis, Danielle e Marcelle.
Além do ânimo em viver e da motivação para o cuidado, Crésio era a sinceridade em pessoa. Outra particularidade dele era o fascínio que tinha em consertar algo quebrado, exercendo também, nas horas vagas, o posto de mecânico.

Mas, sem dúvida, a medicina o encantava, ela sim foi capaz de fazer com que persistisse e insistisse em seu sonho. Orgulhava-se muito da profissão, principalmente pela dificuldade que encontrou para cursar a antiga Faculdade Nacional de Medicina ─ hoje UFRJ ─, devido à origem pobre de família do interior do Rio de Janeiro.

O combinado, que deixou em aberto com Ana Lúcia, foi o de comemorarem juntos os aniversários de ambos quando acabasse a pandemia. Esse acordo não saiu como planejado, porém, a caminhada que Crésio trilhou nessas pouco mais de oito décadas foi finalizada com o êxito de uma existência conduzida pelo cuidado, companheirismo e muita alegria.

Sebastião nasceu em Carmo (RJ) e faleceu em Taubaté (SP), aos 83 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela sobrinha de Sebastião, Ana Lúcia Rezende Abud. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Júllia Cássia, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 24 de dezembro de 2020.