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Sebastião da Conceição Oliveira

1970 - 2020

Viajou todo o Brasil, mas para a família era mesmo um Porto Seguro.

Sebastião era um homem que não demonstrava seus sentimentos em palavras, mas através de atitudes.

Homem dedicado à família e que honrava seus compromissos, chegou a ser como um pai para algumas de suas sobrinhas.

“Ele foi uma pessoa de alma feliz. O sorriso dele era inesquecível. Sempre estará em nossos corações”, diz a sobrinha Gisely.

Viveu toda sua juventude em Rondônia. Morou em Itajubá, interior de Minas Gerais, quando sua mãe fez tratamento para câncer em um hospital da cidade. Ali, resolveu fazer faculdade de Economia, e foi onde conheceu Maria do Carmo; assim nasceu Matheus.

Em 1997, Sabá, como também era conhecido, voltou para Rondônia, onde cuidou de sua família e trabalhou no Sebrae até o fim da vida.

Dono de um sorriso inesquecível, Sebastião amava seu trabalho e, através dele, viajou o Brasil inteiro, dando palestras e aulas. Lá, seus colegas se tornam amigos.

Carismático por natureza, ele era assim: fazia amizade por onde passava. Fazia questão de viajar de Rondônia para Itajubá para visitar Matheus. O filho lembra que, andando pelas ruas da cidade, todos cumprimentavam o pai. A facilidade com que ele construía amizades era tanta que acabava de conhecer alguém e poucas horas depois já estava lá, fazendo churrasco na casa da pessoa.

Aventureiro, adorava viajar, explorar lugares diferentes e conhecer pessoas novas.

Alguns anos após se mudar para o interior de Rondônia, Sabá teve outro relacionamento e um filho, Vinícius. Matheus e Vinícius se conheceram e ficaram muitos próximos – com o pai sendo o ponto de união entre os dois.

Sabá levava os filhos para viajar com ele. Inclusive visitaram juntos o Ceará, onde ele encontrou o lugar que queria passar o resto da vida quando se aposentasse. A paixão à primeira vista pelo Ceará fez com que ele comprasse um terreno para construir uma casa por lá.

Entre tantas histórias para contar, Matheus lembra de quando era criança e o pai o colocava no colo e deixava o menino “conduzir” o volante do fusca, enquanto dirigiam pela cidade de Itajubá. Assim, Sabá ensinou desde cedo Matheus a ser livre.

Sebastião sabia como festejar a vida. Sempre com um copo de chopp ou cervejinha na mão, ele adorava participar de churrascos entre familiares e amigos.

Dono de uma voz forte e uma risada inesquecível, Sabá era um homem de presença marcante.

Acima de tudo, era um homem generoso.

“Ajudou a todos, prezou pelo bem-estar de todo mundo, uma das únicas pessoas que sabia curtir o que tinha nas mãos”, afirma Matheus.

Sabá viveu intensamente, e se entregou às pessoas que acreditava. Deixou à família e aos amigos seu legado: generosidade.

Sebastião nasceu em Porto Velho (RO) e faleceu em Porto Velho (RO), aos 49 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pelo filho e pela sobrinha de Sebastião, Matheus Ribeiro Oliveira e Gisely Ribeiro Pereira Silva. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Raquel Rapini, revisado por Gabriela Carneiro e moderado por Rayane Urani em 21 de novembro de 2020.