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Tarciso Pinto Batista

1956 - 2020

Cozinheiro de mão-cheia, colocava uma pitada de amor em todos os pratos que preparava para a família.

Todo amor que tinha colocava nos pratos que preparava para a família, especialmente na época de Natal e Réveillon. Eram as datas preferidas deste nordestino, que saiu do interior do Ceará e em São Paulo conheceu a esposa, com quem viveu por 43 anos. Juntos, tiveram uma filha, Talita, que lhe presenteou com o neto Gustavo.

A única profissão que exerceu não poderia ser outra: cozinheiro de mão-cheia. Sonhava em se aposentar e ter um dia a dia mais tranquilo, preparando refeições apenas àqueles a quem dedicou a vida: os familiares. Faltava apenas um ano.

Transformou-se com a chegada do neto. Adorava escutar as histórias de Gustavo. As risadas eram infinitas quando estava com o garotinho. Assim que chegava para visitá-lo, pedia um beijo.

A vaidade era uma característica de Tarciso. Adorava se perfumar e costumava usar boné para esconder a crescente calvície. A calmaria e alegria também o acompanhavam.

Durante a pandemia, era cauteloso. Não saía sequer à calçada. Contudo, o que começou como uma gripe comum acabou levando-o. Apesar de não mais estar aqui, nada apagará a memória deste marido, pai e avô amoroso que tanto se dedicou à família.

Tarciso nasceu em Taperuaba (CE) e faleceu em São Bernardo do Campo (SP), aos 63 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela filha de Tarciso, Talita Gomes Dias. Este texto foi apurado e escrito por Talita Camargos, revisado por Daniel Schulze e moderado por Rayane Urani em 20 de agosto de 2020.