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Terezinha Vinhote de Sousa

1943 - 2020

Fazia os partos locais por amor e vocação. Uma mulher que teve sempre com ela o dom do servir.

"Dona Tereza, como era conhecida, foi mulher, esposa, mãe, avó e 'parteira por vocação'. Uma mulher que sempre ajudou quem precisava. Nunca media esforços para atender um chamado. Em uma época em que as dificuldades de atendimento em hospitais eram muitas, era ela quem socorria e fazia os partos das muitas mulheres que confiavam a ela esse momento tão especial", é assim que a filha Eleunice relembra o dom que sua mãe tinha desde jovem. Foram inumeráveis crianças que vieram ao mundo através das mãos de Dona Tereza. Nenhuma criança morreu em um parto assistido por ela. Fazia chuva ou sol, noite ou dia, Terezinha nunca negou ajuda a quem precisasse dela. “Ela sentia prazer em ajudar, nunca cobrou por um parto que fez”, diz a filha.

Terezinha tinha um "humor incrível" e muitas histórias. Era diabética e não podia comer algumas coisas de que gostava. “Tinha vários 'fiscais', até os netos de 4 e 5 anos ajudavam nessa empreitada. Então, ela aproveitava quando eles iam dormir para assaltar a geladeira. O engraçado era quando ela era pega”, relembra, aos risos, Eleunice.

Tinha o sonho de ter todos os filhos próximos dela. "Amava, incondicionalmente, seus filhos. Era apaixonada pelo caçula que faleceu em 2018, vítima de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica); foi um golpe muito duro para minha mãe", conta a filha.

Gostava de ver a família toda reunida. “Todos os dias, nos finais de tarde, era sagrado as filhas e netos irem até sua casa tomar um café e pedir sua bênção”, relembra a filha que também diz que a mãe tinha um "hábito mais admirável" e que também fazia parte de sua rotina diária que "era ficar em frente à televisão assistindo às missas e rezando o terço."

Assim foi Terezinha, uma mulher que possuía o dom do servir.

Terezinha nasceu em Santarém (PA) e faleceu em Santarém (PA), aos 77 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Terezinha, Eleunice Vinhote de Sousa. Este tributo foi apurado por Lígia Franzin, editado por Mateus Teixeira, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 30 de outubro de 2020.