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Zilda Serafim da Silva Ribeirão

1959 - 2020

Determinada, decidiu se tornar enfermeira aos 30 anos. Não tinha estudo, mas foi atrás e realizou o sonho.

Zildinha da Enfermagem, como era conhecida, atuava na UPA Zaíra, em Mauá. "Sempre alegre e sorridente, esbanjava alegria", diz seu irmão Osvaldo. Mãe de dois filhos, ela tinha um "amor incondicional pelo eterno namorado, o maridão Amaury".

Osvaldo conta que a irmã resolveu ser enfermeira aos 30 anos. À época ela tinha apenas a 4ª série e... "ninguém acreditava, mas ela estudou, terminou o fundamental, médio, técnico e a tão sonhada faculdade de Enfermagem", ele se orgulha.

Zildinha atuou por 12 anos como auxiliar de enfermagem e, aos 60, saiu a "tão sonhada" aposentadoria. Logo depois viria a promoção, enfim, ao cargo de enfermeira-chefe na UPA.

"Foi uma alegria que infelizmente durou pouco, pois apenas cinco meses após a promoção ela e outra irmã, a Cidinha, se contaminaram. Cidinha se curou, ao contrário de Zildinha", conta Osvaldo, saudoso da irmã, lamentando que a família agora tenha apenas oito dos nove irmãos.

A saudade ainda dói, mas ele se lembra dela falando, brincalhona, a "sua" frase para dissipar qualquer problema: "Rugas de preocupação!" Que elas um dia sumam, que a dor passe.

Zilda nasceu em Minas Gerais e faleceu em Mauá (SP), aos 61 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelo irmão de Zilda, Osvaldo Serafim dos Anjos Filho . Este tributo foi apurado por Jonathan Querubina, editado por Jesiel Eliezer Zerbo, revisado por Paola Mariz e moderado por Rayane Urani em 6 de agosto de 2020.