1956 - 2020
Entendeu que o mundo precisa de amor ao próximo, e que ninguém é melhor do que ninguém.
Esta é uma carta aberta da filha Caren para sua mãe, Claudia:
Minha mãe era uma figura marcante, de risada alta e frouxa, sempre com um conselho, um jeito doce de acolher todas as pessoas. Como ela gostava de conversar.
Ela também era forte, tendo passado por muitas dificuldades na vida: a perda do pai ainda criança, e da mãe quando ela teve a primeira filha; a perda do marido, que ela tanto amava — e ele a ela.
Com tudo isso, minha mãe nunca deixou de acreditar na vida nem de ter fé. Claudia era uma mulher incansável, que amava sua família, tendo lutado a cada minuto por seus três filhos.
Minha mãe transmitiu a mim e aos meus irmãos, a importância do trabalho e como cada pessoa pode fazer a diferença ao estar no mundo. Na sua simplicidade, ela entendia que o mundo precisava de amor ao próximo, que ninguém era melhor do que ninguém e que todo mundo tinha que ter oportunidades nessa vida.
Aluna excelente que só ela, contava com o carinho das escolas por onde passou, em especial e com muito orgulho da Escola Normal Carmela Dutra, lugar em que recebeu o diploma de habilitação ao magistério, tornando-se professora. Ela não exerceu a profissão no ensino formal, mas, desde muito cedo, deu aulas de reforço escolar para outras crianças. Eu mesma lembro de ter aprendido com ela a ler as primeiras palavras.
A Claudinha, como a chamavam, trabalhou durante toda a sua vida como servidora pública no Serviço Federal de Processamento de Dados-Serpro. Ela não chegava atrasada e não faltava. Aliás, não se atrasava para nenhum compromisso e sempre dizia que “a missa se espera na Igreja”.
Era admirada por sua alegria de viver e seu otimismo visceral, que contagiava a todas as pessoas. Queria poder de novo abraçá-la, poder ouvir o som de sua voz me apresentando às pessoas: “essa é a minha mais nova!”. Queria receber mais uma vez a sua mensagem de todos os dias, quando eu saía do trabalho: “Ok. Venha com Deus. Cuidado e calma”.
Que vontade de dizer “mãe”. Que vontade de dizer “eu te amo”.
Claudia nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), aos 64 anos, vítima do novo coronavírus.
Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela filha de Claudia, Caren Victorino Regis. Este texto foi apurado e escrito por jornalista Michele Bravos, revisado por Maria Eugênia Laurito Summa e moderado por Rayane Urani em 15 de outubro de 2021.